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Política

Decreto gera debate entre colegas do PMDB

Por Portal Agora

 

Flávio Flora

 O vereador Ademir da Silva (PSD) reclamou que prepara seu pronunciamento para a tribuna da Câmara, mas quando chega ao seu gabinete tudo muda para assuntos problemas que não saem de pauta por falta de solução. Ele se referia às empresas concessionarias de abastecimento, saneamento básico e transportes coletivos.

O decreto publicado pelo ex-prefeito Vladimir Azevedo (PSDB), ao final de seu mandato, alterando o tempo para conclusão das obras de tratamento de esgoto de 2021 para 2027, foi um dos assuntos principais da reunião de ontem. Vários vereadores se posicionaram a respeito, pedindo que o prefeito Galileu Machado (PMDB) revogue  a decisão.

— Não tem cabimento esperar mais. Essa empresa não presta um bom serviço para a população; é só desserviço — disparou o vereador Sargento Elton (PEN).

O vereador Eduardo Print Jr. (SDD) criticou a demora de Galileu Machado em comunicar sua decisão sobre a revogação ou não do decreto, sobre o qual, segundo ele, o chefe do Executivo  tem total autonomia para fazer. Lembrou que, em início de janeiro, um grupo de vereadores fez um pedido ao prefeito para que viesse a público dar explicações sobre tal decreto, o que não aconteceu até agora.

 Desafio ao presidente

 O presidente da casa, Adair Otaviano (PMDB) usou da palavra para censurar vigorosamente o decreto que deu mais prazo para a Copasa entregar as obras da ETE Itapecerica e disse que está realizando estudos para ver a possibilidade da Casa (por decreto legislativo) suspender a eficácia daquela decisão executiva.

Caso seja lícito, nós temos a coragem, sim, de sustar esse decreto, se o prefeito não o fizer — disse o vereador, ao final de sua exposição, concedendo aparte ao vereador Edson de Sousa.

Seu colega do PMDB, no entanto, não concluiu a intervenção porque o tempo restante foi insuficiente, mas deixou um desafio ao presidente, considerando que “o Galileu não vai revogar o tal decreto”

Em seu momento da tribuna, Edson de Sousa (PMDB) comparou a Copasa a “um amor no portão, que não resolve” e disse que “caiu pra trás” com o posicionamento de Adair, que lidera o movimento do “revoga Galileu” e sabe que isso vai dar em nada.

Ao final da reunião, invocando o direito de resposta, o vereador-presidente, atingido pelo vereador Edson, disse que os anais da Câmara comprovam que ele não usa a tribuna para falar mentiras ou para enganar as pessoas, mas alguns vereadores “que ainda estão aqui” sim.

— Quando eu me refiro à Copasa, eu falo com propriedade. Fui o único vereador que votou contra o projeto (EM 104/2007) de concessão do tratamento de esgoto para a empresa. E fui um dos seis vereadores a votar contrário ao segundo projeto EM 061/2007, que deu origem a todos esses problemas— informou Adair, sem dizer nomes.

Em conversa rápida com a reportagem, após visita à Câmara, na semana passada, o prefeito Galileu Machado revelou que ainda não tinha condição de revogar ou não o polêmico decreto, porque as consequências jurídicas desse ato não tinham ficado elucidadas para ele:

— Na minha idade, eu não posso errar. Tenho uma equipe jurídica fazendo um estudo sobre os aspectos polêmicos do contrato com a Copasa e assim que tiver convicção vou dar uma satisfação ao povo. Pode ficar tranquilo — revelou, sem pedir sigilo.

 Desabastecimento

 O vereador Josafá de Oliveira (PPS) está indignado com a indiferença da Copasa para com os moradores que sofrem com o desabastecimento e com as constantes manutenções que deixam inúmero bairros sem água, como Nova Fortaleza, Rinaldo Campos, Alto das Oliveiras e Serra Verde.

— A Copasa é relutante em responder os pedidos da Câmara ou dos presidentes de bairros. É um grande descaso com Divinópolis — afirmou Josafá, informando que, em vista do famoso decreto, há 30 dias, solicitou um novo cronograma das obras mas não recebeu sequer uma nota da concessionária.

O vereador Cleiton Azevedo (PPS) endossou nas palavras de seu colega e afirmou que não tem conseguido dormir tranquilo com tantas mensagens que lhe chegam pelas redes sociais, relatando problemas e o desespero que várias comunidades vêm sofrendo com o desabastecimento.

 — Não sei onde vamos parar com essa pouca vergonha. Isso não pode continuar — desabada o vereador.

 

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