Falta de respeito

Difícil dizer se a falta de respeito e consideração de boa parte dos vereadores de Divinópolis é pior com o colega de mandato ou com a população que lhe confiou o voto. Acaba legislatura, entra uma nova e a situação de ausência no Plenário a cada reunião. No encontro desta terça-feira, 26, por exemplo, o presidente da Mesa Diretora, Israel da Farmácia (PP) precisou interromper a fala do Dr.Delano (PL), por falta de quórum. Ele praticamente sozinho discursando. Em outros registros semelhantes, a situação se repetiu por três vezes. Nenhum dos 17, é obrigado a gostar do assunto em questão ou do autor dele, no entanto, é preciso respeitar e ter o mínimo de empatia. Não é a primeira vez que este PB e o Agora abordam este assunto. Fica até chato, mas a resposta que se vê a cada repetição do fato é: "não tô nem aí". Como se o tempo que sobra — são apenas duas reniões por semana — não fosse suficiente para bater papo no plenarinho e atender outras demandas. Enquanto isso, o povo é feito de palhaço e aceita a máscara e o nariz de boa, sem reclamar. Por isso, a realidade política não muda. Quem poderia fazer isso acontecer é conivente com os desmandos.
Sobra tempo
Se falta tempo para dedicar ao colega e se inteirar do assunto do discurso, sobra e muito para gravar vídeos na Prefeitura ou na rua. Na verdade, está tão cansativo, que as conversas que se ouve em diversos lugares é: "não aguento mais, nem abro". E com toda razão. Até um espirro mais forte, vai para as redes sociais. A reunião é um momento importantíssimo e precisa ser valorizado a cada minuto, afinal é ali que se pode e deve decidir questões fundamentais para a cidade e seu povo. Deixa as "negociações" de bastidores e o "pensar no próprio umbigo" para as horas livres fora do Plenário. Já que o legislar e fiscalizar, muitas vezes, vem deixando a desejar. O que está em dia são as visitas ao prefeito. Essas não falham um dia sequer.
Um exemplo?
E as atuações pífias, acontecem de "cabo a rabo". Das câmaras muncipais ao topo maior: o Congresso Nacional. Na semana passada, um grupo de senadores reunidos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) decidiu, por 14 votos a 12, que era o caso de ressuscitar o voto impresso no Brasil. Caso a bizarrice passe pelo Plenário e Câmara, as urnas eletrônicas terão de começar a imprimir o voto em uma cédula, que será depositada de forma automática em um local lacrado. O retrocesso é tão ruim, que foi barrada antes pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por colocar em risco o sigilo do voto. Esse é um exemplo mais recente de como a classe política gasta tempo com a discussão de propostas que só servem para atender a interesses políticos menores, enquanto o Brasil grita por socorro em questões fundamentais para o bem-estar do seu povo, mas não dá voto. Simples assim.
Polarização criticada
Mas, como "água mole em pedra dura, tanto bate, até que fura" é o bom, muitos "empregados do povo", ficaram atentos, pois os alertas de esgotamento da sociedade com essa postura do boa parte deles, começam a pipocar por toda parte. Esse é o lado bom das redes sociais que não servem —ainda bem — só para postagens de vídeos se autoengrandecendo. Pesquisa recente mostra que dois em cada três eleitores não se identificam com nenhum dos líderes da polarização ideológica (Lula e Bolsonaro). Boa parte acha que investir na divisão entre ricos e pobres não ajuda o Brasil e vê prejuízo ao país com as quedas de braço entre os poderes. Além disso, a maioria dos cidadãos ouvidos estão convencidos de que se gasta demais com um Estado que entrega muito pouco. Uma prova de que a consequência das atuações medíocres do Executivo e Legislativo começam a causar uma desconfiança generalizada. Prova de que os brasileiros começam a despertar de um sono profundo que se encontravam desde os primeiros tempos da República. Ainda há esperança.
Demandas urgentes
Enquanto a polarização e assuntos que só iteressam aos próprios políticos ganham a atenção delesm temas sérios e urgentes para serem resolvidos pelos parlamentares não faltam. A pesquisa da Quaest, divulgada no dia em que os senadores aprovaram o voto impresso, destacou violência (26%), problemas sociais (19%), economia (17%), corrupção (13%), saúde (10%) e educação (6%) como as maiores preocupações do brasileiro. E não é difícil constarar que o Brasil só anda para trás nessas áreas. No caso da corrupção, por exemplo, a Transparência Internacional apontou um cenário de retrocesso, que inclui a falta de ações concretas do governo, decisões do STF que favoreceram investigados e a pouca clareza do Congresso na prestação de contas. Ao invés de isso, preocupar o Congresso, na mesma reunião da CCJ, os senadores reduziram o prazo de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa e o poder da Justiça para apurar irregularidades com o uso dos fundos eleitoral e partidário, que consomem 6 bilhões de reais anuais. Precisa mais para a população está desacreditada?
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