Igreja Católica manifesta repúdio ao que chama de abuso

Flávio Flora
O documento da CNBB expressa "apreensão" em relação à proposta, recorrendo ao artigo 6o da Constituição Federal de 1988 para sublinhar que os direitos previdenciários não podem ser alterados à revelia, porque não se trata de concessão governamental ou um privilégio: “Os direitos sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio."
A nota da CNBB também censura as "informações inseguras, desencontradas e contraditórias", nas quais o governo Temer, seus porta-vozes e aliados no Congresso Nacional se baseiam para tentar a aprovação da PEC 287.
Discussão restrita
"O debate sobre a Previdência não pode ficar restrito a uma disputa ideológico-partidária, sujeito a influências de grupos dos mais diversos interesses. Quando isso acontece, quem perde sempre é a verdade" – enfatizam os bispos católicos.
A CNBB defende a necessidade de auditar a dívida pública, taxar rendimentos das instituições financeiras, rever a desoneração de exportação de commodities, identificar e cobrar os devedores da Previdência.
A nota é assinada pelo arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha, por dom Murilo Krieger (arcebispo de Salvador) e por dom Leonardo Ulrich Steiner (secretário-geral da entidade).
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