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Política

CNBB e bispos mostram apreensão sobre a reforma da Previdência

Por Portal Agora
CNBB e bispos mostram apreensão sobre a reforma da Previdência

Flávio Flora

O bispo diocesano de Divinópolis dom José Carlos de Souza Campos foi um dos signatários de um manifesto dos bispos mineiros da Província Eclesiástica de Belo Horizonte contra a reforma da Previdência, publicado na última segunda-feira, 20. A intenção é promover a reflexão sobre a PEC 287/2016, que tramita no Congresso Nacional, em comissão especial. 

— Os cristãos devem estar presentes na formação dos consensos necessários e na oposição contra as injustiças. A Igreja não substitui e nem se identifica com políticos ou interesses partidários. Contudo, não pode se eximir da sua vocação de ser incansável advogada da justiça e dos pobres —justificam os religiosos. 

Apreensão da CNBB 

Na quinta-feira, 23, foi publicada uma nota do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), concitando “os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem ao redor da atual reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente, os mais fragilizados". 

A entidade endurece nas críticas à proposta defendida pelo presidente Michel Temer (PMDB) e que para “para equilibrar um possível déficit” não se pode abrir mão “de valores éticos-sociais e solidários.  

— Na justificativa da PEC 287/2016, não existe nenhuma referência a esses valores, reduzindo a Previdência a uma questão econômica — diz a mensagem. 

Recado de Minas 

Sob o título “Não é esta a reforma da previdência social que o Brasil precisa”, os bispos mineiros apresentam uma análise das consequências da mudança proposta pelo governo de Michel Temer. Reconhecendo o momento como de “intensa crise de representatividade e de legitimidade das instituições, pela ausência de autoridade moral que agrava a falta de credibilidade dos legisladores e governantes”, alertam que é contraditório e perigoso impor mudanças sociais constitucionais sem “que a sociedade seja ouvida e que se criem mecanismos de participação dos cidadãos nesse processo”. 

O documento provincial destaca que a Previdência é “uma das políticas sociais de maior abrangência exercidas pelo Estado”, e que não pode ser olhada apenas sob a ótica de receitas e despesas, esquecendo-se de “seu papel essencial na redistribuição de renda”.  

Desamparo à velhice 

“A Previdência Social representa, para os cidadãos empobrecidos, a única diferença entre o desamparo e uma velhice minimamente segura” – ressalta a mensagem, que traz citação do papa Francisco, retiradas do Evangelho da Alegria 53, segundo a qual a economia que promove a exclusão e a desigualdade social está entregueà morte. 

Assinaram o manifesto mineiro, na segunda-feira, 20, abrindo a semana de protestos: dom Walmor Oliveira de Azevedo (arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte), dom João Justino de Medeiros Silva (arcebispo coadjutor de Montes Claros), cinco bispos auxiliares da Capital e quatro do interior – dom Guilherme Porto (de Sete Lagoas), dom José Aristeu Vieira (de Luz), dom José Carlos de Souza Campos (de Divinópolis) e dom Miguel Ângelo Freitas Ribeiro (de Oliveira). 

 

 

 

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