Roteiro extenso

Uma novela brasileira, mexicana, uma série da Netflix. Talvez um filme com enredo cheio de conspirações e com todas as nuances do mundo político. Brasileiro, é claro. Qualquer uma destas sugestões dariam para enquadrar na história do Hospital Regional em Divinópolis. Mais de uma década usado como palanque político, moeda de troca, para não dizer coisa pior. Agora, quando finalmente a unidade está pronta para beneficiar milhares de usuários do SUS de Divinópolis e região, começa o jogo de empurra, todo de novo. Inadmissível que um governo de Estado e seu vice não tenham conhecimento da situação atual dos trâmites para liberar o prédio, ou fazem de bobos, achando que os políticos que representam esses municípios "à espera de um milagre", — a inauguração do hospital,— são mais bobos ainda?
Incomodados?
Inconcebíveis as falas do governador Romeu Zema (Novo) sobre o Regional, quando esteve em Divinópolis, nesta semana, e de Mateus Simões (PSD) sobre a deputada Lohanna França (PV). Ela e o prefeito Gleidson Azevedo (Novo), estão cobertos de razão em suas atitudes. Se estão incomodados com a possível candidatura de Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo de Minas, e com o posicionamento irretocável de Lohanna na ALMG, tinham pelo menos que pensar na população do Centro-Oeste — que aliás tem um grande número de votos — e honrar com suas promessas. O resto é fazer esses eleitores de otários.
Votação na ALMG
A retirada do Hospital Regional do Propag foi anunciada pelo governador no início do mês, após mobilização de prefeitos, vereadores e outras lideranças. A medida destravou a tramitação na Assembleia Legislativa dos projetos que autorizam a doação do imóvel à UFSJ. O principal é de autoria de Lohana França (PV). No entanto, até o momento, não houve nenhuma atualização. Mas, a notícia que chegou à Redação nesta quarta ,19, é que o presidente da Casa, Tadeuzinho Leite (MDB) prometeu dar celeridade às propostas já na próxima semana. E realmente é o que se espera, visto que já se caminha para o fim de novembro, falta pouco para o recesso, e a transferência da decisão para 2026, significa o hospital fechado por mais dois anos. E, com certeza, nenhum candidato em 2026, que se preze, seria louco de fazer isso.
Jogo de empurra
Foi o que se percebeu na fala do governador Romeu Zema (Novo), que esteve em Divinópolis nesta segunda, 17, para inaugurar o gasoduto na estação em Ermida. Quando questionado sobre o hospital, afirmou que está prontíssimo, e pode até inaugurar já. Apesar da afirmação, não apresentou nenhuma data possível, porque sabe que depende da ALMG autorizar a entrega do terreno ao governo federal. E ele sabe disso, tanto que a UFSJ vem reforçando, que sem a autorização legislativa, não é possível avançar no cronograma de contratação de pessoal, montagem dos serviços e abertura gradual da unidade. Mas Zema fez questão de apontar outros responsáveis, num conhecido “jogo de empurra”.
Caminhando juntos?
Enquanto isso, a menos de um ano da eleição, os movimentos políticos começam a ganhar forma em Minas Gerais. A aproximação de Mateus Simões com figuras como Nikolas Ferreira (PL) reforça sua estratégia de unir a centro-direita em torno de sua pré-candidatura ao governo do estado. A presença de Domingos Sávio (PL) durante a de Romeu Zema a Divinópolis, somada ao recente elogio do senador Cleitinho ao deputado federal, mostra que as pontes estão sendo construídas e os sinais, para Simões, são positivos. Ele aposta na articulação coletiva de partidos alinhados ideologicamente, tentando consolidar um bloco forte e competitivo. Do outro lado, a esquerda segue sem nomes definidos: Rodrigo Pacheco (PSD), não deve se arriscar nas urnas, após ver frustrado seu sonho de chegar ao STF, e Marília Campos (PT) parece priorizar a disputa por uma vaga, também no Senado. Nesse cenário, Simões desponta com vantagem, aproveitando o vácuo dos adversários e o apoio crescente dentro de seu campo político.
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