Streets of Blood

CREPÚSCULO DA LEI – ANO VII – CCCXVII
No dia 16 de fevereiro o jornal inglês The Sun publicou uma matéria relativa à Polícia Militar de São Paulo, citando-a como “a força policial mais perigosa do mundo”.
A notícia constrangedora veio sob o título “Streets of Blood” - ... – Ruas de Sangue – e fazendo referência à atrocidades como crianças mortas a tiros, suspeitos jogados de pontes e ufanismo de policiais que insistem em homicídios no currículo.
(...)
No mesmo lastro equiparam-se fatos recentes, ainda sombrios, sobre os últimos episódios das dezenas –ultrapassando a centena – de pessoas mortas na baixada santista, performados televisivamente mediante uma brutalidade absolutamente desnecessária contra vulneráveis.
Não é por acaso que a PM paulista já tem contra si denúncias até na Organização dos Estados Americanos (OEA) – em documento formalizado por mais de 60 entidades de proteção ao direito e às garantias individuais.
O governador paulista e seu secretário de segurança não se preocupam muito com isso. O próprio governador já deu entrevista sobre o tema e deixou isso bem claro. Tanto se evidencia lamentável que a falta de preocupação com o uso de câmeras individuais no fardamento é, notoriamente, constatável.
Sob esse aspecto, reconhecem-se vícios no treinamento da tropa ao se manter uma metodologia bélica, de guerra, estruturada no “combate” ao inimigo. Será?
Qual o inimigo? O vulnerável apto a apanhar e morrer futilmente?
Incomoda não se observar a mesma violência contra todos (“erga omnes”). É uma violência seletiva e, portanto, permeando a atos de abusos e covardia em centenas de casos que demonstram a agressividade seletiva em desfavor de vulneráveis.
Em um triste paralelo com tais vícios, ou estranheza preparatória, não há que se olvidar da (a) proximidade entre a PM paulista e os templos neopentecostais.
As imagens nas redes da internet impressionam pelos gigantescos cultos tomados pela tropa ainda fardada, centenas de policiais, dezenas de viaturas inseridas em cerimônias ainda não especificamente explicadas quanto à sua legalidade.
Seria uma exaltação a quê?
Seria uma cerimônia de exculpação? Ou um ritual pré-combate de oferendas de pecadores ao juízo antecipado do divino?
Fato é que a PM paulista assusta pela opção primeira da violência contra o “inimigo”: as classes mais baixas. Outras PMs, de outros estados, também poderiam ser citadas, mas a PM paulista ganhou notoriedade internacional.
Seria assustador, mas é algo além.
Assombra assistir, ao final, que há uma espécie de autofagia, onde pessoas extraídas da mesma classe social, apenas por usarem fardas, acham que podem exterminar pessoas de sua própria classe. Isso precisa ser revisto. Urgentemente!
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