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Domingos Sávio Calixto

‘Jesus’ e a homossexualidade

Por Bruno
‘Jesus’ e a homossexualidade

CREPÚSCULO DA LEI – ANO VII – CCCXVIII

O Brasil é um dos países que mais extermina homossexuais.

Considerando-se que tal (extremada) violência é perpetrada, em boa parte, por certos “cristãos”, sejam católicos ou protestantes, ditos defensores de uma ordem celestial contra os vulneráveis da homossexualidade, algumas ponderações são oportunas e necessárias.

Inicialmente, há que se considerar que o epicentro hermenêutico do cristianismo é um construto do primeiro século, praticamente 100 anos contados da data aproximada de morte daquele que os ditos cristãos consideram o “Messias”. Foi nesse primeiro século que quase a totalidade dos fundamentos da religião cristã se deu por estabelecida, desde os Evangelhos, as Cartas, os Atos e o livro do Apocalipse.

Diante destes fundamentos, verificam-se duas figuras distintas: O “Jesus histórico” e o “Jesus bíblico”.

Sobre o “Jesus histórico”, não se tem evidências incontestes que tenha existido. Possivelmente, tenha existido. Possivelmente não. Conforme alertado, as evidências históricas não são conclusivas. Consequentemente, não existem evidências ou prova alguma de que o “Jesus histórico” tenha se manifestado sobre qualquer tema que envolva a homossexualidade.

Sobre o “Jesus bíblico”, um dado é incontestável: não deixou nada escrito. 

Se nada escreveu para a posteridade, configura-se lógico que nada pode ser atribuído à sua própria fala, ou seja, tudo o que se tem se constitui em escritas e falas de terceiros. Além disto, são falas e escritos de terceiros que cruzaram dezenas de outros séculos sendo traduzidos e interpretados por outros terceiros,

Sem embargo, o “Jesus bíblico” nada falou, nada ensinou, nada fez que  tenha sido dito, ensinado ou feito por ele mesmo. Tudo se sabe pela fala e escrita de outros. Desta forma, fica claro que o “Jesus bíblico” seguramente nada disse ou escreveu sobre qualquer tema algum, inclusive a homossexualidade.

Sob esse aspecto, resta analisar os dogmas temporais daqueles que se encarregaram de falar e escrever “em nome” do “Jesus bíblico” e que estruturaram o cristianismo - “Cristo” é uma expressão oriunda do grego e posteriormente inserida, conforme os escritos atribuídos a Paulo.

A escrita bíblica atribuída ao “Jesus bíblico” é um conjunto estrutural religioso que, à época dos escritos, nada menciona sobre a questão da homossexualidade. 

Desta forma, podem-se estabelecer duas hipóteses. A primeira é que esta questão não era relevante para a época. A segunda é que a questão poderia ter alguma relevância, mas não era relevante para aqueles que se encarregaram de escrever e ensinar em nome do “Jesus bíblico”. Provavelmente preocupados com coisas mais relevantes, nada falaram ou escreveram sobre a tal homossexualidade.

Portanto, toda a ira, todo ódio, toda violência de alguns “cristãos” contra os homossexuais se constituem em uma brutalidade sem qualquer fundamento bíblico. Na realidade, demonstram os perseguidores sérios indícios de transtornos sexuais graves, negações e castrações que canalizam recalques mal resolvidos.

Mais grave ainda é observar que tal ódio, quase sempre, é determinado ou estimulado, por falsos líderes religiosos, alguns empresários do dízimo, e muitos deles envolvidos em sua própria homossexualidade deflagrada em casos de pedofilia e crimes sexuais violentos. Tudo em nome de um “Jesus”. Sabe-se lá qual deles.

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