‘Tática da distração’

Muita gente não sabe, e sequer imagina, mas existe uma teoria do marketing político que diz o seguinte: sempre que você estiver enfrentando uma crise, crie uma distração, uma suposta crise maior para que a população não cobre e se esqueça do caos anterior. Essa tática é muito bem retratada no filme “Mera Coincidência” de 1998. O enredo conta a história do presidente dos Estados Unidos, interpretado por Michael Belson, que a poucos dias da eleição, se vê envolvido em um escândalo sexual e, diante deste quadro, não vê muita chance de ser reeleito. Assim, um dos seus assessores entra em contato com um produtor de Hollywood, interpretado por Dustin Hoffman, para que este "invente" uma guerra na Albânia, na qual o presidente poderia ajudar a terminar, além de desviar a atenção pública para outro fato bem mais apropriado para interesses eleitoreiros. Apesar de ser um filme de ficção, infelizmente, e incredulamente, a obra retrata muito bem os tempos atuais. Com uma fidelidade à modernidade, o filme descreve como a política se desenvolve hoje, e muito bem a “tática da distração”. E, não é preciso ser nenhum expert político, pelo menos neste ponto, para ver e comprovar isso.
O Brasil é um país em desenvolvimento cheio de problemas. Saúde, educação, saneamento básico, economia, infraestrutura, meio ambiente, direitos humanos, e por aí vai. O que não faltam por aqui são problemas. Mas, devido à atuação medíocre, amadora e cada vez mais rasa dos governantes, a saída para desviar o olhar da população para a total falta de capacidade deles de trazer soluções e melhorias, em outras palavras, para a incompetência, é distrair o povo do que de fato é problema por aqui. Então, para tirar o foco da população, a atenção do povo, a melhor estratégia é inventar as mais diversas teorias, sendo as mais comuns: comunismo e doutrinação. Sem qualquer tipo de responsabilidade, os governantes espalham medo, ódio e se aproveitam da falta de acesso à educação de qualidade, e à limitação intelectual de boa parte do povo brasileiro, para se “esbaldar” na tática da distração, e não cumprirem com suas obrigações como representantes do povo. O jogo, como sempre, é sujo. Mas, vindo de boa parte dos políticos, não se pode esperar nada diferente. O que entristece é ver o quanto o povo vem perdendo e se afundando nessa estratégia que apenas paralisou um país, que de “em desenvolvimento” não tem nada.
A “tática da distração” tem funcionado, e muito bem. Se não fossem os danos irreparáveis que ela tem trazido ao Brasil, dava até para tirar o chapéu e aplaudir quem começou a utilizá-la e propagá-la por aí. O que desola é ver o quanto os brasileiros, mesmo diante dos problemas reais que a falta de políticas públicas impõe dia após dia, seguem distraídos, e se afastando cada vez mais do real, do que importa. De distração em distração, a nação se afunda em um caos profundo, onde a saída está cada vez mais distante. Distraídos, o povo se contenta com o ilusório, enquanto os problemas reais esperam por solução. Por aqui “mais vale uma distração do que uma solução”. Excelente tática! Bingo!
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