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Editorial

Um hospital, muitas lições

Por Bruno
Um hospital, muitas lições

Depois de duas décadas de espera, idas e vindas, promessas frustradas e obras paradas, o Hospital Regional de Divinópolis finalmente ganha uma data para sair do papel. A abertura, marcada para 1º de junho, simbolicamente no aniversário da cidade, não é apenas um marco administrativo, mas é, acima de tudo, um respiro para uma população cansada de esperar por dignidade na saúde pública.

Sim, demorou. E muito. Foram cerca de 20 anos desde o início da construção e quase uma década de abandono. Tempo suficiente para alimentar descrédito, revolta e, principalmente, sofrimento de quem depende do SUS. Por isso, é inevitável reconhecer: a conquista chega tardia, mas chega. E isso, por si só, já é motivo para ser celebrado.

Mas não basta comemorar. É preciso entender o que tornou isso possível. O avanço do hospital não veio por acaso. Ele é resultado direto de algo que, infelizmente, ainda é raro na política: união. União de lideranças com pensamentos diferentes, de esferas distintas, mas com um objetivo comum: tirar o hospital do papel.

A mobilização que envolveu prefeitos da região, representantes de consórcios de saúde, universidade, governo federal e lideranças políticas mostra que, quando há disposição para o diálogo, os resultados aparecem. Independentemente de partido, ideologia ou posicionamento, prevaleceu aquilo que deveria ser regra: o interesse público.

Esse talvez seja o maior ensinamento desse processo. Não foi um governo sozinho, nem uma liderança isolada. Foi o esforço conjunto que destravou um projeto que por anos ficou esquecido. Isso precisa ser reconhecido e, mais do que isso, replicado.

Ao mesmo tempo, é importante manter os pés no chão. A abertura é apenas o começo. O funcionamento será gradual, em fases, e exigirá acompanhamento constante. Não se pode permitir que o entusiasmo inicial dê lugar, novamente, à negligência. A história do hospital ensina exatamente isso: quando se para de cobrar, as coisas param junto.

A estrutura anunciada, com 198 leitos e mais de mil profissionais ao final da implantação, representa um avanço significativo para Divinópolis e toda a região Centro-Oeste. Pode significar menos filas, menos transferências e mais acesso a tratamentos de média e alta complexidade. Pode, e deve, aliviar um sistema que hoje opera no limite.

Mas a entrega de um prédio, por mais importante que seja, não resolve tudo. Será preciso garantir funcionamento pleno, equipe qualificada, gestão eficiente e, principalmente, compromisso contínuo com a população.

O Hospital Regional é, sim, uma vitória. Mas é também um lembrete. Um lembrete de que quando há união, as coisas acontecem. E de que quando falta vontade política, quem paga o preço é sempre o cidadão.

Que a inauguração não seja um ponto final, mas um novo começo. E que a mesma força que tirou o hospital do papel continue presente para garantir que ele funcione, de fato, como a população sempre mereceu.

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