Crime?

A morte de um homem, quando pilotava um jet ski no feriado de Carnaval, no local conhecido por P9 na Barragem de Cajuru, deixou parentes e conhecidos de condomínios próximos, abalados. E não é para menos, visto que era um momento de diversão e a causa, para uma pessoa que nadava muito bem, afogamento. No entanto, a situação ainda é embaraçosa, e pode caminhar para um desfecho completamente diferente. Informações de pessoas que estavam in-loco dão conta de que não foi bem assim. Existe um segundo envolvido que teria batido de forma violenta na moto aquática do rapaz deixando-o desacordado, e o afogamento foi inevitável. O causador do acidente teria se machucado bastante, mas, não foi encontrado nenhum atendimento seu em unidades de saúde de Divinópolis, onde reside. Há informações também de que ele desapareceu após o ocorrido. Para quem conhecia a vítima, não há dúvidas que houve crime, visto que ela não bebia e voltava para casa devagar. Familiares e amigos já tomaram as providências. Agora é com a Polícia Civil.
Perigo
Quando o assunto é moto aquática a primeira medida a ser adotada tem que ser a cautela, por diversos fatores. Uma delas é não pilotar à noite, pois não tem farol como as motos de estrada. Ademais, até durante o dia é perigoso devido às restrições e visibilidade presentes na frente da embarcação. Além disso, é preciso acrescentar a imprudência, imposta por muitos, bem acima da velocidade permitida, o não uso do colete e ainda expõe passageiros ao mesmo perigo. Sem contar que fazem uso de bebidas alcoólicas ou permitem que pessoas sem nenhum treinamento, incluindo crianças na condução. Uma soma de irresponsabilidade e leviandade, que podem culminar em tragédias. Infelizmente, realidade e preocupação que vêm à tona só quando acontece um acidente como o do sábado de carnaval. "Chorar o leite derramado", nunca serviu para nada!
Humilhante
Falar que o trabalho da Polícia Militar é fundamental para a população, "é chover no molhado". É um profissional que sai para trabalhar sem ter a garantia da volta para casa. Mas, nem sempre tem o seu valor reconhecido, causando-lhe graves consequências, como rendimento abaixo do esperado e a saúde mental abalada. Esse é o retrato das forças de segurança de Minas Gerais nos últimos anos. Sem recomposição salarial prometida, aumento limitado no contingente e falta de estrutura adequada para atuação. Isso é sabido em todo estado, sendo mostrado em protestos, cartas abertas, denúncias dos sindicatos e na Assembleia Legislativa. Mas, tem uma das divisões da PM, a Rodoviária, que é preciso compaixão para com seus membros. O posto em Divinópolis na MG-50 com a 494, como outros em Minas, pode ser usado como exemplo. O local que já salvou criança engasgada, vítimas de acidentes e roubos, não tem mais nem um militar na cabine, que segue fechada. Nem o armamento é feito lá. Militares precisam se deslocar para a 7ª Companhia Especial da PM, no bairro Icaraí, do outro lado da cidade. Alguns foram transferidos, e um contingente mínimo precisa dar conta de uma malha rodoviária de aproximadamente 1.000 quilômetros. Trabalho exaustivo que tem levado os agentes a dobrarem os turnos. E pior: precisam aguentar calados, sob o risco de a situação se tornar ainda pior. É essa mesma polícia que é usada como marketing dos governos e a população necessita? Fica a reflexão para o ano eleitoral.
Desgaste
A precariedade estrutural em qualquer instituição que assista ao povo, ultrapassa a questão interna e afeta diretamente quem precisa dos serviços. Na questão da PM, a falta de investimentos adequados em equipamentos, infraestrutura, tecnologia e valorização profissional evidencia um cenário de desgaste institucional que compromete tanto a eficiência do trabalho policial, quanto o bem-estar dos próprios agentes, como dito acima. Jornadas extensas, pressão constante e escassez de efetivo contribuem para um ambiente de desgaste, o que pode impactar a qualidade do atendimento a vítimas de qualquer crime e a tomada de decisões em situações de alto risco. É essa a garantia do Estado para um serviço mais eficiente e humano?
Fragilidade
Outro ponto crítico, para variar, é a distância entre discurso político e prática administrativa. Embora a segurança pública seja frequentemente tratada como prioridade no debate público, a ausência de políticas consistentes de longo prazo revela uma fragilidade no planejamento estatal. Sem investimentos contínuos e estratégias de modernização e valorização dos profissionais, a corporação tende a operar de forma reativa, lidando apenas com crises imediatas em vez de atuar de maneira preventiva e estratégica. Neste sentido, discutir a precariedade da segurança pública, não significa apenas analisar as condições de trabalho dos policiais, mas reconhecer um problema estrutural e antigo que tem piorado a cada dia e que os responsáveis fingem não ver.
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