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Preto no Branco

Indefinição geral 

Por Bruno
Indefinição geral 

O cenário eleitoral visando a corrida ao governo de Minas segue embaçado. A cada dia surge uma especulação ou um anúncio que complica ainda mais a corrida. A saída do presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe do cargo para uma possível dobradinha com Cleitinho Azevedo (Republicanos) para a disputa pelo cargo, ganhou um novo contorno nesta quarta-feira, 4. Uma ala do PL em Brasília, partido o qual se filiará, defende que Roscoe seja cotado como cabeça de chapa em uma eventual disputa ao Palácio Tiradentes. O empresário se reuniu com os deputados federais Domingos Sávio, presidente estadual da sigla, e Zé Vitor. A alegação de parte do partido pelo nome do ainda gestor da Fiemg em Minas é baseada na avaliação de que os nomes da direita que se colocaram à disposição para a disputa possuem problemas que podem enfraquecer as candidaturas. A esta altura do jogo nada mais seria do que desvalorizar o nome de Cleitinho e correr o risco de um resultado decepcionante para o partido no Estado. Mas, na política, pode se esperar de tudo.

Decisão adiada 

Enquanto isso, Cleitinho, que é o líder nas pesquisas para ocupar a cadeira de Romeu Zema (Novo), vive um drama pessoal, e por enquanto, adiou qualquer conversa para composições que visam o cargo. Em discurso nesta semana semana no Senado, bastante emocionado, revelou que irmão mais novo, Matheus, único que não é inserido na política, foi diagnosticado mais uma vez com leucemia, doença que havia sido curado há quase 18 anos. Por isso, iria retardar tudo ligado à sucessão no Executivo do Estado. Situação que bagunça ainda mais o xadrez político nas articulações para o cargo mais importante de Minas. 

Palanque do PL

Seria este o motivo que levou o PL mineiro a se movimentar em Brasília. Espera-se que não, pois seria aproveitar um momento tão delicado. O certo é que  Cleitinho é ainda a principal aposta do bolsonarismo apaixonado, que aposta na candidatura do divinopolitano, no sentido de ser um palanque estruturado para o senador Flávio Bolsonaro (PL) em Minas, acrescentando ao grupo dois nomes na disputa por uma cadeira no Senado, o de Domingos Sávio e o do deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL). Isso se o jogo não mudar nos próximos dias, ou mesmo nas horas seguintes. Em se tratando de cargos, composições políticas e interesses próprios, tudo é possível. 

Fora do baralho

A decisão de Nikolas Ferreira (PL) de descartar uma candidatura ao governo de Minas revela mais cálculo político do que recuo. Ao afirmar que sua voz ganhou peso no cenário nacional e que sua saída criaria um “vácuo”, o deputado sinaliza compreender o valor estratégico que hoje ocupa no tabuleiro da direita brasileira. Nikolas se tornou um ativo eleitoral que extrapola as fronteiras mineiras, mobiliza bases digitais e ajuda a turbinar chapas proporcionais na disputa pelas cadeiras do Congresso. Ao optar pela Câmara, preserva seu protagonismo, evita o desgaste de uma disputa majoritária complexa e mantém influência direta no debate nacional, algo que, para seu projeto político, pode render mais dividendos do que um confronto estadual de alto risco.

Guerra fria

Já no campo da centro-direita mineira, Mateus Simões (que deixou o Novo para se juntar ao PSD) enfrenta um desafio clássico da política: a aritmética das alianças nem sempre acompanha o discurso da união. Embora conte, por ora, com o apoio formal da federação União Brasil–PP, a deterioração da relação com o novo presidente do União em Minas, deputado Castro, e a movimentação de bastidores ligada ao senador Rodrigo Pacheco expõem uma possível ruína desse arranjo. Pacheco está próximo de se juntar à sigla, deixando o PSD após o movimento da legenda em abrigar Simões. O episódio mostra que Simões pode ter de gastar mais energia recosturando apoios internos do que enfrentando adversários externos — um sinal de alerta para quem pretende liderar um campo político que ainda busca coesão.

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