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Preto no Branco

Todos os dias

Por Portal Agora
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Divinópolis encerrou 2025 com um número que deveria incomodar mais do que incomoda: 5.179 acidentes de trânsito. São mais de 14 ocorrências por dia, todos os dias, sem exceção. Não é um recorte pontual, nem um ano atípico. É a confirmação de que a violência no trânsito deixou de ser episódio para se tornar rotina. Quando os dados chegam a esse nível, não dá mais para procurar um único culpado. O problema não mora só na imprudência do motorista, nem apenas na falta de sinalização, tampouco se resolve com mais placas ou quebra-molas. É um conjunto de falhas, escolhas e comportamentos que se somam e se repetem.

Quem sente primeiro

Nesse cenário, os motociclistas aparecem como o elo mais frágil. Foram quase 1.500 acidentes envolvendo motos em um único ano e 11 mortes confirmadas. Não por acaso, os mesmos endereços aparecem nas estatísticas: MG-050, rua Goiás, Pernambuco, avenida Paraná. Pontos conhecidos, reclamados, comentados, e ainda assim perigosos. O padrão se repete: tráfego pesado, pressa, disputa por espaço e pouca margem para erro. Para quem está sobre duas rodas, qualquer descuido vira sentença. O trânsito não perdoa, mas também não surpreende.

Não é um fator só

Os números deixam claro que a violência viária não nasce de uma única causa. Falta de atenção lidera as estatísticas, seguida por má visibilidade, distância insegura, desobediência e embriaguez. Ou seja: comportamento. A cidade até reage com intervenções, campanhas e ajustes viários. Mas a conscientização não se mede por quantidade de ações e sim por mudança real de atitude. Nenhuma cidade atinge mais de cinco mil acidentes por acaso. Isso é construção diária — no volante, no guidão e na forma como cada um entende o espaço coletivo.

O tempo da política

Se no trânsito o problema é o excesso de velocidade, na política mineira o desafio parece ser o oposto: a demora. Rodrigo Pacheco segue calculando cada passo antes de decidir se entra ou não na disputa pelo governo de Minas. É o nome preferido do presidente Lula, mas ainda sem definição. Falta partido viável, sobra resistência interna. O PSD já tem rumo, o União Brasil impõe barreiras, o PSB não convence. Pacheco só entra no jogo se tiver controle e garantia de estrutura. Caso contrário, a tendência é recuar. A política, assim como o trânsito, também tem cruzamentos perigosos e decisões adiadas costumam custar caro.

Quando o tamanho importa

Em Santa Juliana, uma caminhonete de luxo virou símbolo de exagero. Uma Hilux de R$ 420 mil para uma cidade de pouco mais de 15 mil habitantes chamou a atenção do Tribunal de Contas. A compra não foi anulada, mas o sobrepreço foi reconhecido, e parte do dinheiro terá que voltar aos cofres públicos. Nem mesmo o fato de o veículo ter sofrido perda total em um acidente encerrou o debate. O recado é direto: o controle não se encerra com o fim do bem. Ele começa na escolha, na justificativa e na responsabilidade de quem autoriza o gasto.

O pequeno desvio

Em Baependi, o caso foi ainda mais emblemático. Dois ex-vereadores condenados por exigir de assessores o repasse de sobras de diárias, pagamento de despesas pessoais e até honorários advocatícios com dinheiro público. Tudo isso sob ameaça de exoneração. Não são cifras milionárias, mas o método revela muito. O uso da máquina pública para benefício privado, disfarçado de rotina administrativa, mina a confiança nas instituições. Não foi erro técnico. Foi decisão consciente.

No fim das contas

Trânsito violento, política indefinida, gastos questionáveis e abuso de poder. Assuntos diferentes, lógica parecida. Os problemas não surgem de repente. Eles se acumulam, se repetem e se tornam parte do cotidiano — até que os números, os processos ou as tragédias obriguem alguém a olhar. E quase sempre, quando esse olhar chega, chega tarde.

Lucas Maciel

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