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Eduardo Augusto Silva Teixeira

Gordofobia gera danos morais 

Por Bruno
Gordofobia gera danos morais 

Gordofobia é o preconceito, discriminação e hostilidade contra pessoas gordas, baseada no peso corporal, manifestando-se como uma opressão social estrutural que nega acesso a direitos, serviços e causa adoecimento físico e mental.

Registre-se que há uma cartilha do Senado Federal, "Senado contra a gordofobia", na qual são discriminadas condutas como típicas da prática.

O que é?

É a desvalorização, estigmatização e hostilização de pessoas gordas e seus corpos. Tal discriminação leva à exclusão social e, consequentemente, nega acessibilidade às pessoas gordas.

A gordofobia pode levar a desigualdades no ambiente de trabalho, sobretudo, devido aos estereótipos negativos, segundo os quais as pessoas gordas são preguiçosas, desmotivadas, indisciplinadas, menos competentes e desleixadas. Esse preconceito é, muitas vezes, disfarçado de preocupação com a saúde, dificultando sua identificação.

A gordofobia deixa danos permanentes na pessoa atingida, podendo levar a problemas sérios de autoestima, transtornos de imagem corporal e alimentares, depressão, ansiedade e até suicídio.

(...)

Comportamentos que precisam ser abandonados:

Fiscal de corpo: comentar o quanto a pessoa engordou ou elogiar o emagrecimento alheio, pois reforça que só é bonito quem é magro;

Não gerar condições para que pessoas gordas possam frequentar os ambientes;

Fazer comentários supostamente bem-intencionados sobre o corpo da pessoa, como: "você nem é tão gorda assim", "você não é gorda, é cheinha", "você tem o rosto tão bonito, só precisa emagrecer", "você deveria usar roupas que emagrecem" etc;

Usar a característica física para identificar uma pessoa, tipo: "é aquele (a) gordinho(a) ali";

Dar palpites sobre dieta e emagrecimento ou comentar sobre o que a pessoa come;

Representar a pessoa gorda em imagens e vídeos como uma pessoa fracassada, desajustada, atrapalhada, preguiçosa e gulosa;

Atribuir todos os problemas da pessoa, sejam de saúde, amorosos ou outros, ao peso."

Recentemente, o Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais condenou empresa a pagar a uma empregada o valor de R$ 2. mil a título de indenização por danos morais por fatos que caracterizaram Gordofobia, processo de n. 0010767-02.2024.5.03.0179.  

Caros eleitores, no Google, numa simples pesquisa sobre gordofobia temos milhares de casos de pessoas sendo vítimas de constrangimentos morais por causa da obesidade. 

Pois bem, por tamanha relevância do tema, decidimos em poucas palavras falar sobre gordofobia e alertar a população quanto ao crescente número de processos judiciais, nas áreas trabalhista, cível e criminal. 

A verdade é que os casos sempre existiram, o fato é que as pessoas vitimadas não estão sofrendo mais sozinhas e caladas, os dramas vividos estão sendo repudiados por parte da sociedade e pela Justiça. 

Um detalhe nos chamou atenção dos casos pesquisados, raramente encontra-se vítimas do sexo masculino, tem-se figurado no campo da vítima as mulheres, o que sinaliza casos de misoginia, além de gordofobia.

A gordofobia gera danos irreversíveis as pessoas vitimadas, em grande maioria as vítimas nunca esquecem das brincadeiras de péssimo gosto vividos na escola, nas práticas de esportes, da época de adolescentes, e na vida adulta, seja no âmbito de trabalho, familiar, e social – fatos registrados na alma. 

E essas máculas da alma podem gerar ansiedade, medo, intranquilidade de espírito, insegurança, tristeza, depressão, afastamento social, desemprego, obrigando-os a tratamento psicológico e psiquiátrico, com uso de medicação, e em casos mais graves, as pessoas podem não suportar as humilhações e levar ao suicídio, tamanha gravidade do tema.

Por isso, a importância da sociedade discutir o tema e provocar campanhas de educação social, justamente para que as pessoas tenham empatia e respeitem a diversidade social. 

É importante que as famílias discutem o tema, que as escolas e faculdades trabalhem a temática com os alunos, que as empresas evitem a discriminação na contratação de pessoas obesas, e ainda estimulem e exigem o respeito na relação no ambiente de trabalho.

Já quanto as vítimas de gordofobia, a orientação é não sofrer sozinhas, levem os fatos a conhecimento das autoridades, da sociedade em geral, como fez a vítima da empresa de voo pelas redes sociais. Na escola/faculdade recorram aos professores e direção, no ambiente de trabalho, a seus encarregados, à Justiça do Trabalho nos casos em que figure como agressor superiores e/ou empregadores, na relação consumerista aos encarregados das empresas, aos órgãos de defesa do consumidor, mas, nunca aceite qualquer discriminação, seja, por qualquer situação, muito menos pela obesidade.    

Eduardo Augusto Silva Teixeira - advogado 

easteduardo@yahoo.com.br  

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