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Preto no Branco

Não perde tempo

Por Bruno
Não perde tempo

Ainda de olho na disputa para a Presidência da República, Romeu Zema (Novo) saiu com mais uma crítica contra o presidente Lula (PT), logo após o Senado impor derrota doída a Jorge Messias, que precisava da aprovação da Casa para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Disse que aprovar uma indicação do presidente ao Supremo é o caminho para perder uma eleição. As críticas feitas por Zema à gestão do petista começaram desde que as coisas não andavam nada boas para ele, em seu segundo mandato. Do ano passado para cá, o STF também entrou na mira, tanto que já resultou até em processo. Tenta emplacar a mesma estratégia usada por políticos como Cleitinho para ganhar visibilidade, mas por enquanto, parece que não tem surtido efeito.

Mesma coisa

E quando se trata de criticar, apontar erros, defeitos, mas nunca solução, o companheiro de Trend de Zema não fica para trás. O pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), enviou uma mensagem para parlamentares aliados pedindo que não baixem a guarda após a rejeição de Messias. A negativa ao nome apontado por Lula foi a principal derrota governista no Legislativo neste mandato e a primeira vez em que uma indicação presidencial à Suprema Corte não foi aprovada em mais de 100 anos. Na mensagem, parabenizou os aliados e pediu apoio na derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria, que pode reduzir a pena do ex-presidente Bolsonaro (PL), dos condenados pelo 8 de janeiro, e tem potencial para impactar mais milhares de outros condenados por crimes diversos. Os discursos só mudam de cara, mas o conteúdo é o mesmo.  É que faz vibrar a turma do “quanto pior, melhor”. A que ponto chegou a política brasileira.

‘Menos pior’

Os tópicos acima retratam a realidade da política praticada no país. A atual conjuntura política brasileira é pífia porque virou um jogo onde ninguém governa de fato, só administra a crise da semana. O Executivo vive refém do Centrão no Congresso, trocando orçamento e cargos por cada voto em pautas básicas. Sem base sólida, projetos estruturais mofam na gaveta e o país é tocado por Medidas Provisórias e decretos que duram seis meses. Do outro lado, a oposição abriu mão de fazer contraponto sério e se especializou em lacração de rede social e CPI que não dá em nada. O resultado é um debate público raso, movido a cortes de 30 segundos, enquanto saúde, educação e segurança pública seguem na berlinda. Muito cargo, pouca gestão, e um eleitor cansado de escolher o “menos pior” a cada eleição.

País sem projeto

Difícil apontar um fator só que culmina nesta política imediata. Mas, um deles que torna a conjuntura atual pífia é o sequestro completo do longo prazo pela briga do agora. Nenhuma das esferas do poder quer pagar o preço político de reformas impopulares, então empurra a conta da Previdência, das empresas públicas, do gasto descontrolado e da dívida para frente. Do seu lado, o Congresso só se mobiliza por emenda e fundo eleitoral, enquanto o Planalto só se mexe quando a popularidade desmancha nas pesquisas. Enquanto isso, o Brasil perde competitividade com países até de menor expressão, a indústria míngua e jovem qualificado deixa o país. A política feita hoje, infelizmente, virou reativa: só age no susto, no escândalo, na manchete. Sem projeto de país, sem coragem para desagradar a própria bolha, sobra um vazio de liderança. A consequência é uma nação gigante, com problemas idem, tocado de qualquer jeito, por uma classe política pequena.

Não entrou 

O  projeto da Mesa Diretora que prevê mudanças importantes sobre cargos na Câmara, previsto para ser apreciado na reunião desta quinta-feira, ficou de fora. Conforme informações de bastidores, o motivo deve ser um trecho embutido na proposta que tratava sobre servidores efetivos que exercem funções de confiança, como secretário e procurador geral. Para estes e outros cargos, há previsão de aumento nos salários entre 50% e 100%.  As informações vazaram e ganharam repercussão no meio político e na cidade. O Agora foi um dos que teve acesso à proposta. Pelo menos até o encerramento deste PB, não se tinha notícias se o projeto entraria em regime de urgência. A aposta era que não.

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