O outro lado da Copa

A Copa do Mundo é apresentada como a celebração do talento, da superação e do esporte e, na atual, outros motivos chamam a atenção: japonês negro, seleções europeias com maioria dos jogadores negros, até mesmo na Bélgica, cujo rei, Leopoldo II, foi diretamente responsável pela morte de 16 milhões de congoleses entre 1885 e 1908. Ao mesmo tempo, os congoleses comemoram Patrice Lumumba, principal líder anticolonial e o primeiro-ministro democraticamente eleito da República Democrática do Congo (RDC), então Congo Belga, que se destacou por defender a unidade nacional, o pan-africanismo e o controle dos recursos naturais pelos próprios congoleses. Ele foi morto covardemente em 1961, com o apoio de autoridades belgas. Mas há algo assustador: a quantidade de jogadores que já foram acusados, investigados ou responsabilizados por violência contra a mulher. Ryan Mendes (Cabo Verde): acusado e investigado pelo estupro de uma tradutora brasileira (o caso teria acontecido após amistoso entre a seleção cabo-verdiana e o Chile, em março deste ano); Junya Ito (Japão): acusado de estupro de duas mulheres em 2024; Kaishu Sano (Japão): acusado de participar de um estupro coletivo; Achraf Hakimi (Marrocos): acusado de estuprar uma jovem em 2023; seu caso segue em andamento; Thomas Partey (Gana): enfrenta sete (isso mesmo! Sete!) acusações de estupro e duas de agressão sexual; Cristiano Ronaldo (Portugal): acusado de estupro em 2009, fez acordo com a vítima para o caso não vir a público.
Fora de campo
Pesquisas mostram que as agressões físicas sobem cerca de 21% e os registros de ameaça crescem em torno de 23,7%. Nas cidades com times mandantes, os casos de lesão corporal dolosa chegam a registrar picos de alta de até 25,9%. Esse fenômeno, amplamente documentado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Instituto Avon, não é justificado pelo esporte ou por resultados em campo, mas, sim, potencializado por fatores comportamentais e culturais que se agravam durante as partidas.
Não é ficção
Barbara Carrano, ex-assessora da Vara das Fazendas Públicas e Autarquias da Comarca de Divinópolis/MG, condenada a mais de 35 anos de prisão pelo golpe contra o Estado de Minas Gerais, estava cumprindo pena em Pará de Minas/MG e foi para a APAC de Itaúna/MG, onde leva uma vida típica de presidiária poderosa de novela. Segundo fontes, até o papel higiênico que ela recebe há de ser perfumado, além de alimentos que não pertencem à alimentação comum em unidades prisionais. Segundo fontes, ela leva uma vida cara, “nem parece que está cumprindo pena”. Como disse Henry Peterson, em 1974, durante seu depoimento diante da Comissão de Justiça do Senado dos Estados Unidos, sobre a nomeação de Earl J. Silbert para procurador federal, “follow the money” (siga o dinheiro). Eita!
APAC
(Associação de Proteção e Assistência aos Condenados). Criada em 1972, em São José dos Campos (SP), a APAC possui, atualmente, 64 unidades em funcionamento em todo o Brasil, sendo 50 unidades em Minas Gerais. A de Itaúna/MG, onde se encontra Barbara Carrano, foi fundada em 1984. De acordo com dados da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC), mais de seis mil pessoas cumprem penas em APACs, nos regimes fechado, semiaberto e aberto. Seus pilares fundamentais são: participação da comunidade e forte apoio familiar; ensino de trabalho e profissionalização; foco na espiritualidade (Jornada de Libertação com Cristo); amplo suporte de saúde e assistência jurídica; mérito: o bom comportamento garante progressão de regime (fechado, semiaberto e aberto).
À velocidade da luz
Nas APACs, os presos — que, como regra, devem passar pelo sistema tradicional antes de ingressar nessas unidades — reencontram duas coisas: a dignidade como ser humano e a crença real em sua recuperação. Ressalte-se que Barbara Carrano foi presa em 19/06/2024. No último dia 20/03/2026, foi condenada, com o namorado, a mais 1 (um) ano e 9 (nove) meses de reclusão e 17 (dezessete) dias-multa, mantido o valor do dia-multa no mínimo legal, pelo crime de falsificação de documento. Pelas contas, após um ano no Presídio Pio Canedo, em Pará de Minas, ela já foi para a APAC. Afinal, o Estado acredita em sua crença real de recuperação à velocidade da luz. O mesmo Estado que ela ultrajou. Oremos!
OAB das Minas
A Comissão Estadual das Mulheres Advogadas da OAB Minas segue, de ponta a ponta do Estado, com o projeto OAB das Minas. Amanhã será a vez de Divinópolis. De 9h às 13h, na Casa da Advocacia, advogadas de todos os cantos de Minas Gerais estarão lá fortalecendo laços, encurtando distâncias e reafirmando um compromisso permanente: a advocacia feminina mineira é potente, preparada e protagonista. As brilhantes e inspiradoras advogadas Ellen Lima, presidente da 48ª Subseção, Silvana do Valle e Simone Pardini, presidente e vice-presidente da Comissão da Mulher Advogada da Subseção, são as responsáveis por esse evento que deixará sua indelével marca na advocacia divinopolitana. Aplausos de pé!
Homenagem
No último dia 29, a CEO do Grupo Agora de Comunicação, Janiene Faria, recebeu das mãos de Rodrigo Fernandes, presidente do Sindijori (Sindicato dos Proprietários dos Jornais, Revistas e Similares do Estado de Minas Gerais), o Troféu Tancredo Neves, no auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), pela sua trajetória de mais de trinta anos em prol do jornalismo do interior, de forma ética, transparente, imparcial e humana. Janiene foi aplaudida por pessoas de peso, dentre elas, o presidente do TCE-MG, Durval Ângelo, e o ex-governador Eduardo Azeredo. O evento mostra a importância da imprensa do interior e, claro, do jornal impresso, cuja existência remonta ao imperador romano Júlio César (100–44 a.C.), que, durante o seu reinado, criou a "Acta Diurna", onde eram divulgadas as suas conquistas militares. No Brasil, começou em 1808. Em Divinópolis, neste ano de 2026, o impresso completa 110 anos e o nosso Jornal Agora, 55. Bravo! Bravíssimo! Aplausos de pé!
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