Salvadores ou criminosos?

Eduardo Augusto
No último dia 12, em nossa coluna, ressaltamos o resultado da operação “Entre Amigos” da Polícia Federal que trouxe à baila um rombo nos cofres públicos, da área da saúde.
Naquele momento destacamos como é importante e urgente que as autoridades da saúde investem nos órgãos de defesa e fiscalização do uso do dinheiro público.
Esse tipo de operação gera muitas informações e revelações, além de seus atores.
Aliás, as investigações revelam atuação de verdadeiros criminosos com dinheiro público, que se aproveitam dos corredores do poder para enriquecer ilicitamente, além de seu grupo social e político.
Tecnicamente chamados como lobistas, são pessoas que, a priori, chegam nas cidades e às autoridades com currículos invejáveis e dotados de capacidades técnica de cargos e experiência no serviço público, e, em pouco tempo, devastam os cofres públicos e os municípios gerando rombos milionários, deixando rastros de morte.
É o caso da saúde de Divinópolis que há tempos vem recebendo forasteiros e forasteiras, que a priori adotados de confiança geram fé que podem e tem capacidade de milagres na gestão do dinheiro público; quando vê são alvos das operações das polícias.
O exemplo vem da operação “Entre Amigos II” que identificaram atuação de lobista do promotor de justiça aposentado, Gilmar de Assis, pasmem, que dedicou anos na gestão na saúde como seu protetor.
Segundo esta operação este senhor teria lucrado R$ 5,5 milhões pela sua atuação nos contratos com as fraudes identificadas pela autoridade policial.
O delegado federal que conduz a operação afirma categoricamente que Assis era articulador a serviço da IBDS, o Instituto que administrava a UPA de Divinópolis.
As conclusões policiais dão conta de um grande esquema de corrupção por um grupo criminoso, como se vê, há muitos envolvidos na roubalheira do dinheiro público em nosso Município.
Conforme o próprio delegado, o ex-promotor foi o interlocutor para entrar em Divinópolis.
Como no artigo anterior, venho suscitar a dúvida do povo. Se identificaram o ex-promotor como articulador, com quem ele articulava e se acertava no meio político e administrativo em Divinópolis, essas pessoas vão ficar isentas de punibilidade?
Serão mesmo esses gestores vítimas do esquema de corrupção?
O ex-promotor faria um grande favor para o Município de Divinópolis se fizesse uma delação premiada e contar verdadeiramente as autoridades de como essa história criminosa aconteceu aqui.
Importante ressaltar que esse mesmo senhor também atuou pelo Hospital São João de Deus em meados de 2018/2019.
Cito, por exemplo, uma postagem no site do referido hospital, aludindo sobre uma cerimônia em 28 de março de 2019 em que o mesmo ex-promotor denunciado pela Polícia Federal foi homenageado pela instituição, segundo a direção do hospital ele teria atuado efetivamente em prol da instituição no período de intervenção.
Complexo é ver ao lado do ex-promotor justamente o ex-secretário de saúde Sr. Amarildo Sousa, que hoje faz parte do quadro de funcionários do Hospital São João de Deus.
Fato é que as altas autoridades dedicaram várias homenagens de muito glamour e bateram palmas para o ex-promotor, hoje, acredito que estejam perplexos e silenciosos com a operação “Entre Amigos”.
Já que hoje as autoridades policiais de Divinópolis tem muitas informações sobre as empresas em que o ex-promotor atuou em favor e como foram suas manobras criminosas é importante que a Polícia Federal estenda suas investigações a outras instituições, como por exemplo, o Hospital São João de Deus, justamente para selar as contas dessas instituições de saúde, uma vez que, recebem e contratam com dinheiro público.
Eduardo Augusto Silva Teixeira - Advogado
easteduardo@yahoo.com.br
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