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Cláudio Guadalupe

A poesia e as artes cênicas: voz de um poeta e dramaturgo da cidade

Por Bruno
A poesia e as artes cênicas: voz de um poeta e dramaturgo da cidade

Aqui nesta mesma coluna já realizamos encontros entre a poesia e outras artes: cinema, escultura, pintura. Hoje vamos conversar com o professor, poeta e dramaturgo Antônio Domingos Franco.

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Antônio D. Franco é reconhecido na cidade e no país, como um importante intelectual, que desenvolveu seus estudos no Teatro Universitário, passando pelo Teatro Experimental, o Grupo de Teatro Clássico (de peças gregas e medievais), e em São Paulo, integrou o famoso Teatro de Arena. Depois de enfrentar a barra pesada da repressão da Ditadura Militar, voltou para Belo Horizonte, fez assessoria de imprensa, no Palácio das Artes e foi editor do semanário “ARS MEDIA”. É autor de sete livros, entre dramas, crônicas e poesia, e hoje, vamos tratar mais do seu lado poético, com o livro incrível, “Pássaro na Janela”.

P - Antônio D. Franco, como se deu a aproximação com a linguagem poética? O escritor Lázaro Barreto, afirmou que o “Pássaro na Janela é um canto difícil, uma confissão feita sob persuasiva pressão dos obsessores poéticos” É isso mesmo?

R - Minha mãe lia muito. Acho que ela teve alguma influência dos meus “obsessores poéticos”, como escreveu, generosamente, meu amigo Lázaro Barreto. A poesia, carregada de emoção, sempre despertou meu interesse desde a adolescência.

P - Escolhemos esses poemas para a coluna, para apresentarmos a sua poética lírica e forte. Você poderia nos dizer mais sobre este lirismo marcante em seus poemas? 

XII

Estou cheio de você.

Cada centímetro de pele,

Cada gota de sangue,

Cada fibra elástica e nervosa,

Cada batida febril

Deste coração incompetente está cheio de você.

Inundado de você.

VERÃO

Quando o sol de dezembro molhar teu rosto

[de suor e sal:

A língua, os lábios, de calor e sangue,

E palpitarem nas veias, aceleradas, a vida e o

[Sexo,

Será verão.

R - Acredito, que quem escreve, sempre fala das experiências que viveu. Da vida prática ou emocional. Até experiências banais podem se tornar poesia nas “mãos” de um verdadeiro poeta. Na dramaturgia é a mesma coisa. ”De que cor é o vento” foi inspirada nas vivências que eu tive quando fui estudar em Belo Horizonte. Caio Antônio e João Roberto são personagens verdadeiros. Amigos desde os tempos do Ginásio São Geraldo. Os outros personagens também. Também as experiências. A ficção entre como argamassa.

P - Os dois textos de “Os Melhores Anos de Nossas Vidas” (Prêmio Nacional de Literatura – Belo Horizonte, 1985) são autobiográficos? O que mais lhe marcou na carreira como dramaturgo?

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R - O título original é “De que cor é o vento. Os melhores anos de 

nossas vidas”. Foi uma solicitação dos produtores. Afinal, “Os melho-

res anos...” é de um filme de 1945, sobre os veteranos de guerra, que

voltam para a casa. 

Trabalhava como ator no Teatro de Arena, Em São Paulo. 

Augusto Boal era o diretor. Depois, começou o cerco do DOPS. 

A Arena era esquerda braba. Boal foi preso. Guarnieri ficou sozinho...muita gente foi presa. A coisa não estava prá peixe. Fiz entrevista com Jorge Andrade – um dramaturgo renomado, considerado um dos grandes da dramaturgia brasileira – para substituí-lo na carreira de teatro em Barretos, no Sistema Vocacional de Ensino, um sistema revolucionário criado por D. Maria Miscelani, que depois foi presa pelo DOPS, pelo carniceiro Sérgio Fleury. Em 1970, aquela unidade em Barretos, onde fora trabalhar, após a entrevista, também foi invadida. Quarenta e nove professores foram presos. Não nos torturaram, apenas intimidaram. Voltar para o teatro, não dava mais. Voltei para Belo Horizonte, para trabalhar como Assessor de Imprensa do Palácio das Artes. Depois, para Divinópolis, para lecionar sociologia e filosofia na Faculdade de Direito - Fadom e na Universidade de Itaúna. 

Queremos encerrar o encontro, com o nosso querido Antônio Franco, apresentado outros belos poemas de seu livro.

VIII

O vento levou minhas esperanças.

Como as folhas de um árvore – desprotegida

Na esquina congestionada – no trânsito 

[ intenso

Das nossas emoções sem semáforo.

I

Não tive rios nem quintais na minha infância.

A maga roubada não existiu.

Da fantasia levantei meus muros,

Na solidão inventei a vida.

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