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Cláudio Guadalupe

Um poeta na Biblioteca Municipal Ataliba Lago: João Carlos Ramos

Por Bruno
Um poeta na Biblioteca Municipal Ataliba Lago: João Carlos Ramos

Cláudio Guadalupe

             Poeta integrante da ADL e do ARTEFERIA  

O centro cultural mais pujante da cidade, a Biblioteca Pública Municipal Ataliba Lago (rua Coronel Júlio Ribeiro Gontijo, 420, bairro Esplanada), tem um dos maiores acervos bibliográficos de Minas Gerais (mais de 100 mil obras), e no seu quadro de servidores, dois artistas: o poeta e mais antigo servidor da biblioteca, João Carlos Ramos e o agente cultural, Sérgio Rezende Costa. Hoje vamos conversar primeiro com o servidor João Carlos Ramos, buscando a sua dimensão de escritor acadêmico da ADL.

P - João Carlos Ramos, pode nos contar como você despertou para a literatura e a sua vinda para a biblioteca?

R - Sou funcionário da biblioteca há 40 anos, com muita honra, e sou acadêmico da Academia Divinopolitana de Letras desde 2007. No tocante à minha escrita, eu senti mesmo a vontade de me lançar como escritor quando ganhei o primeiro concurso da Companhia Siderúrgica Pains, na década de 1980. O concurso me estimulou muito e partir daí, comecei a participar de todos os eventos culturais da cidade. Isso foi o caminho para eu chegar até a ADL. Já a minha vinda para a biblioteca foi para ver se dava certo, e deu, pois muita gente saiu e eu continuo.

P - João Carlos, seus dados biográficos?

R - Eu nasci na cidade Ladainha (MG) e meu pai era ferroviário da Rede Ferroviária, na época da Ditadura Militar. Em 1966, ele foi transferido para Divinópolis e aí cheguei aqui com meus 10 anos. Depois casei, sou bem casado e tenho cinco filhos. 

P - E a sua atividade literária? Conte-nos sobre a sua presença na ADL?

R - Eu sou escritor cronista do Jornal Agora, escrevendo toda semana (às terças-feiras) já próximo de dez anos. Queria explicitar a minha presença na ADL. A ADL teve duas fases: antes da sede e o após a sede própria (no bairro Esplanada). A primeira fase foi uma época difícil. Mas foi muito gratificante, pela experiência de conviver com escritores de peso na ADL. Sou muito fiel e compromissado com a Academia. Em 2007, fui empossado e fui presidente dela por duas vezes, em 2015 e 2016. 

P - Como você percebe a ADL no cenário literário de Divinópolis?

R - A ADL precisa melhorar mais. Temos muitas potencialidades, mas a ADL tem que estar mais na comunidade (fica muito em reuniões internas), para que todos vejam a competência de seus acadêmicos, nas áreas da sociologia, literatura, filosofia. Temos que nos apresentar mais à cidade. Mas a ADL tem avançado muito. Eu, particularmente, tenho dado palestras em escolas, mas falta um projeto efetivo para isso, com uma agenda de ida às escolas e com apoio governamental.

P - A ADL passou por uma grande reforma, não é João Carlos? Como você avalia isto?

R - Muito valeu a iniciativa privada. Temos que correr atrás, institucionalmente, como na Academia Brasileira de Letras, onde se busca parcerias e recursos. A ADL tem de trazer para seus quadros, empresários, políticos, que possam nos ajudar, como o acadêmico Eduardo Duarte, que muito apoiou na reforma da sede. Falo isso para o bem da instituição.

P - João Carlos, nos seus 40 anos de serviço na biblioteca, como você avalia o acervo e a situação da Biblioteca Municipal Ataliba Lago, nesta época do mundo virtual?

R - Eu tive a oportunidade de trabalhar em dois períodos distintos: o antes da internet, até década de 1980 e depois da internet. No início, nós servidores tínhamos que conhecer mesmo o acervo, ler os autores, para orientar os leitores. Hoje me dou ao luxo de conhecer grande parte do acervo. Depois com a chegada da internet, veio aquela preguiça, num certo sentido. A internet ajuda, mas não é tudo. Mas eu me sinto realizado na biblioteca, pois muita gente lembra de mim pelas orientações que dava sobre o acervo. Eu estive num evento da UFMG, em BH, quando dezenas de pessoas lembraram do meu nome naquela época da biblioteca.

P - E a sua carreira literária?
R - Eu escrevo, mas não tenho a preocupação de expor minha posição política. Quando lancei meu primeiro livro, não tinha dinheiro para nada e um vereador me apoiou com a publicação, pela Câmera Municipal, do livro Zumbi em Três Tempos, em 1995. Vivia-se os 300 anos de comemoração da morte de Zumbi, e aí lançamos o meu livro! Com o projeto DIVINO LIVROS, também lancei os livros “Uma noite sem ela” e uma nova edição de “Zumbi em três tempos”.

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