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Eduardo Augusto Silva Teixeira

‘A vaca não dá leite, tem que tirar’!

Por Bruno
‘A vaca não dá leite, tem que tirar’!

É o produtor rural entrega o leite que é um dos mais importantes produtos do agronegócio brasileiro, segundo a Embrapa, e é crucial para a economia e a segurança alimentar do país. 

O Brasil figura entre os 10 principais países produtores, sendo responsável por mais de 60% da produção mundial.

Alimento mais consumido no mundo, o leite é um dos produtos mais usados na culinária e na alimentação do brasileiro, adaptando-se ao café e ao chocolate, expandindo sua versatilidade como ingrediente em receitas doces e salgadas, tamanha sua importância. 

Além disso, ele serve como base para uma variedade de derivados produzidos pela indústria de laticínios, o que tem elevado sua relevância no cenário nacional. 

A verdade é que o consumidor final não tem a mínima ideia do quanto é duro e difícil para produtor rural colocar no mercado o leite de qualidade e suficiente para a demanda brasileira. 

O produtor rural brasileiro, esse que entrega seu leite às conhecidas “cooperativas”, tem a atividade mais arriscada do mercado de alimentos, ele produz e entrega primeiro seu produto, para depois saber e receber o valor do leite, uma espécie de “roleta russa”. 

É raro quando o produtor tem um retorno positivo de sua produção de leite (lucro), quando recebe uma pequena sobra, é uma vaca que adoece ou morre, o maquinário que estraga, trato que se perde, etc., a alegria dura pouco. 

Mas mesmo assim, o produtor rural persiste na produção de leite, até porque muitos não têm outras escolhas por sua própria situação econômica e social, seja no lucro, seja no prejuízo, a atividade é diária, 30 dias no mês, até porque como diz o filósofo Mário Sérgio Cortella“a vaca não dá leite, tem que tirar” e para chegar na “caixinha”, nas prateleiras do mercado, além de tirar o leite tem muitas outras etapas a serem cumpridas para, assim, ser consumido na mesa dos brasileiros, o que eleva ainda mais seu custo final. 

E para complicar ainda mais a situação do produtor rural, não há outra escolha senão entregar seu precioso leite às intermediadoras (cooperativas), está ruim com elas, pode ficar desastroso sem sua intermediação, é rezar com muita fé para que um milagre aconteça. 

2025 está sendo mais duro e difícil para o produtor rural, os pequenos fornecedores pensam em parar a produção, vender suas vacas, vender suas propriedades, para buscar o rumo incerto das cidades, o que acende a luz amarela à toda sociedade. 

Para entregar o leite o produtor rural tem riscos dos mais variados e alto custo com manutenção de sua propriedade, um deles, a proteção e alimentação de seus animais, muitos hoje, o que arrecada mensalmente serve para pagar os insumos e suas despesas de plantio.   

Então, o que fazer para aumentar a renda para produtor rural sem que interfira onerosamente para consumidor final? 

Entre algumas alternativas, seria agregar valor ao produto, transformando o leite em queijos e outros derivados para vender com preços mais altos, explorando nichos de mercado, mas, se produtores deixarem de entregar o leite teremos efeito reverso contra consumidor, o produto vai ficar mais caro por escassez, e nem sempre esse aumento retorna para o produtor. 

Se observarmos que o custo e despesas são altos para os produtores no que tange a geração de alimentos para os animais, um caminho para aumentar a renda é diminuir o custo para o produtor.

Isso se daria através dos entes públicos, especialmente os Estados e Municípios na entrega efetiva de sementes, adubos e outros insumos, no plantio oferecendo maquinário e pessoal para preparar o solo, plantar e fazer a colheita.

Atualmente, pela crise que se arrasta há anos, muitos deixam de plantar justamente porque não tem renda suficiente para comprar esses insumos e sequer pagar pelos aluguéis dos maquinários para geração dos alimentos na própria propriedade. 

Resta saber como andam essas providências junto aos sindicatos, às entidades relacionadas ao Agronegócio da nossa região, em especial ao Estado de Minas Gerais e ao Município de Divinópolis, a priori, a informação é que nada fazem pelo produtor rural nesse sentido.  

Por tudo exposto, é reafirmar que investir no produtor rural é uma garantia de melhoramento e subsistência dessa cadeia alimentar do leite, é ofertar melhores condições aos produtores e seus familiares no campo, e ainda obter retorno desses investimentos em impostos que brutalmente os entes públicos arrecadam dessa geração e consumo do leite.

Vejam que a sugestão é longe de ser um favor, é retorno do imposto pago; e do produto, o pagamento de impostos, uma roda que não para de girar.  

Eduardo Augusto Silva Teixeira  — Advogado  

easteduardo@yahoo.com.br

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