Advogado é um missionário

Extrai-se do dicionário a definição de “missionário”: “aquele que recebeu ou assumiu a incumbência determinada tarefa ou promover a sua concretização”.
Pois bem, vivenciamos o mês dedicado à advocacia, aos advogados e por isso, nossa coluna dedica, mais uma vez, homenagem aos colegas advogados.
Recentemente o ministro Alexandre de Moraes afirmou em julgamento na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal que a “Justiça é cega, mas não é tola”, afirmação que acrescento ou contraponho “A Justiça pode até ser cega, mas o advogado é quem abre seus olhos”, tamanha importância do advogado.
A advocacia desempenha um papel crucial em qualquer sociedade, sendo essencial para a defesa dos direitos e garantias individuais, a promoção da justiça e a manutenção do Estado de Direito.
Advogados atuam como representantes legais, orientando clientes sobre a legislação, representando-os em processos judiciais e buscando soluções para conflitos.
Sua atuação é fundamental para garantir que a Justiça seja aplicada de forma justa e equitativa, além de prevenir conflitos e promover a pacificação social.
Assim sendo, não há dúvida que o advogado muda o mundo das coisas, seja para o bem, seja para o mal.
Confessamos que quando assumimos a advocacia, isso em 19/10/2006, não tínhamos a noção dos reflexos da atuação de um advogado, sobretudo, nessa missão de mudar o mundo.
Esse múnus foi sendo assumido pela maturidade, pela experiência do dia a dia, pelo contato direto com os casos e clientes, pelo conhecimento dos temas e as mudanças dos novos tempos.
Hoje, cada caso não é mais um processo, e sim, direitos que mudam a vida das pessoas.
Recentemente, procurado por uma cliente em busca de seu tratamento oncológico contra um plano de saúde, com tratamento que ultrapassa R$ 2,8 milhões, observamos que tratamos da vida da pessoa humana, não de uma procedência ou improcedência do processo judicial, é a vida da cliente que está em jogo e o advogado defende, tamanha sua importância.
Como o padre ou pastor que se dedica a pregar uma religião, a catequizar e trabalhar para conversão de alguém à sua fé, o advogado atua para concretização do direito na vida das pessoas, na boa convivência social, convencendo os magistrados a maior proximidade da Justiça a cada caso concreto, presente o caráter missionário da advocacia.
O advogado tem uma missão de pacificação do mundo onde ele atua, onde ele exerce seu encargo, e, assim fazendo com zelo e dedicação, os resultados de seus processos ultrapassam os muros de sua comarca, beneficiando outros jurisdicionados, classes de pessoas, etc.
Ao contrário do que muitos pensam, entendemos que o advogado deve em seus casos, mas também, concomitante aos problemas de sua cidade, de seu estado, de seu país, não aceitando nenhuma hipótese de injustiça, de afronta aos comandos legais.
Sendo a voz da Justiça, o advogado jamais pode se calar e permanecer às sombras da injustiça, quando depara com um órfão, um pobre, um necessitado, um injustiçado, é um comando bíblico, conforme está consignado no Salmo 82.
Calar diante de uma injustiça, é covardia, e como assentou Sobral Pinto, “a advocacia não é profissão para covardes”, portanto, aquele que deseje ingressar na advocacia esteja preparado para a missão, para o bom combate.
E para exercer bem a advocacia, entendemos que o profissional deve se apegar a sua fé, buscando sempre o escudo e a proteção divina, porque a luta é todos dias; que Deus nos proteja!
Eduardo Augusto Silva Teixeira - Advogado
easteduardo@yahoo.com.br
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