Casta privilegiada

É como o governador Romeu Zema (Novo) chamou os servidores da segurança pública, ao ser questionado em uma entrevista, sobre recomposição salarial. Promessa feita por ele na campanha do seu primeiro mandato, mas que, seis anos depois, não foi cumprida. Todo ano tem as mesmas ações, com cobranças do sindicato, ameaça de greve e protestos. O que parece não ter adiantado nada até agora. No entanto, desta vez, a coisa caminha para um aperto maior, e o governador se vê meio que sem saída. Existe uma ameaça de paralisação justamente no Carnaval, período em que se exige um trabalho dobrado das polícias. Será que o ditado: "Carro apertado é que anda", vai fazer valer?
Protesto à vista
A ameaça numa data tão complicada, quando a demanda das forças é grande, parece, finalmente, ter assustado o governador. Tanto que ele acenou nos últimos dias para alguma compensação financeira para as forças de segurança pública. No entanto, a categoria segue insatisfeita e uma manifestação para o próximo dia 28, véspera da festa de Momo, está convocada pelas entidades de classe que representam os servidores. A concentração está marcada para as 9h, na Praça Sete, no centrão da capital mineira, para chamar atenção, nem só do Estado, mas da população. Os policiais civis, militares e penais querem recomposição das perdas salariais, incluindo reposição do acumulado da inflação de janeiro deste ano. Em um evento da Polícia Militar, na semana passada, o chefe do Executivo chegou a dizer que está em conversa com o comandante-geral da PM, coronel Carlos Frederico Otoni Garcia, e que, “em breve”, seria anunciado algo para a tropa. Mas parou nisso. A expectativa é que esse anúncio ocorra antes do dia 28. No entanto, o Sindicato dos Policiais Civis de Minas (Sindpol-MG), garante que mesmo que isso ocorra, não vai impedir o protesto.
Gota d´água
A queda na aprovação do presidente Lula (PT), em pesquisa DataFolha publicada na semana passada era o que a oposição estava esperando para movimentar o pedido de impeachment contra o chefe do Executivo nacional. Alguns dos opositores têm comparado a situação desta gestão do petista à da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e apostam que o desgaste atual possa causar um ambiente favorável no Congresso Nacional para a abertura e aprovação do pedido. Citam gastos como o do do programa Pé de Meia sem previsão orçamentária e omissão do presidente em relação aos gastos da primeira- dama, Janja da Silva, que teria uma equipe de servidores à disposição sem que ela própria ocupasse cargo público. Fatos que irão a público também no ato em defesa da anistia dos presos do 8 de janeiro, marcada para o próximo mês. Daqui até o próximo ano, quando ocorrer mais uma eleição, isso é o mínimo que se verá. É só o começo.
'Denúncia do golpe'
Na semana em que a Procuradoria-Geral da República (PGR) deve apresentar a denúncia contra o ex-presidente Bolsonaro (PL) por suposta tentativa de golpe, ele se reuniu ontem com senadores da oposição. Assim como o ex- mandatário, os parlamentares defendem a anistia para os envolvidos e presos nos ataques de 8 de Janeiro, projeto que tem sido articulado por ele próprio. Junto a isso, Bolsonaro tem articulado para o ato, intitulado “Fora Lula 2026", que tem previsão de ocorrer em diversas cidades, com participação do ex-presidente no evento principal no Rio de Janeiro. A semana promete, aliás, março também.
Perdão aos envolvidos
A PEC da Anistia, como é chamada, propõe perdão aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, mas enfrenta resistência no Congresso. Enquanto a oposição articula sua aprovação, a situação rejeita a medida. No Senado, a proposta não é prioridade, e na Câmara, não há consenso. A denúncia se baseia, em parte, no relatório da Polícia Federal, que atribui a Bolsonaro e aliados articulação a um plano para permanecer no poder mesmo após a derrota nas eleições de 2022. O documento aponta que houve a elaboração de uma “minuta do golpe” e uma série de tentativas de deslegitimar o processo eleitoral. A próxima eleição vai chegar e essa situação não sai do lugar. Pode apostar!
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
