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Editorial

Encanto destruído

Por Bruno
Encanto destruído

Nem uma semana. Esse foi o tempo que durou a beleza, o encanto e o esforço de centenas de pessoas para transformar a Praça do Santuário em um dos cenários mais emocionantes do “Natal Iluminado” 2025. Menos de cinco dias depois da inauguração, o que deveria seguir como espaço de luz, encontro e memória para as famílias de Divinópolis se tornou retrato de vandalismo, descaso e absoluta falta de respeito com o coletivo.

A cena fala por si. Fios arrancados. Led’s repuxados. A casinha do Papai Noel, símbolo de encantamento para as crianças, destruída por dentro. Um presente devolvido à população em forma de caixa gigante, agora reduzido a um amontoado de cabos expostos. E tudo isso em plena Praça do Santuário, no coração da cidade, diante de quem passa, trabalha ou simplesmente tenta celebrar um período que deveria ser de união.

Imagens registradas no local mostram o que muitos já vinham alertando: a depredação começou cedo e sem qualquer cerimônia. Segundo seguranças, parte dos danos teria sido causada por crianças, enquanto pais eram orientados e simplesmente não se importavam. É esse o ponto mais alarmante. Não se trata apenas de vandalismo. Trata-se da total ausência de consciência familiar, da incapacidade de estabelecer limites básicos e de compreender que o espaço público é de todos.

O prefeito Gleidson Azevedo reconheceu a gravidade da situação e lamentou que menos de dois dias já depredaram a praça praticamente toda. Ele pediu que a população compreenda o esforço e o custo de montar uma estrutura que envolve mão de obra, planejamento e parcerias. Também alertou para o risco de generalizações e evitou apontar culpados específicos, lembrando que existem pessoas “sem educação nenhuma” capazes de destruir o que é construído com carinho.

E é exatamente isso que o editorial precisa dizer, sem rodeios: destruir a decoração natalina não é um ato isolado. É sintoma. Sintoma de um problema social profundo, que passa pela falta de cuidado, pela ausência de limites, pela incapacidade de ensinar e aprender que patrimônio público é patrimônio de todos. Que aquilo que é feito para encantar a cidade, para emocionar crianças, para gerar memória afetiva, merece respeito.

Os depoimentos da inauguração, registrada na última quinta-feira, ainda ecoam. Pais emocionados. Crianças ansiosas. Famílias tirando fotos sob as cascatas de luz. Empresas, instituições e servidores mobilizados para entregar algo especial para Divinópolis. Tanta dedicação para, poucos dias depois, assistir à destruição de um trabalho inteiro.

Não há explicação aceitável. Não há justificativa razoável. Não há como normalizar o que aconteceu. Se a cidade deseja luz, precisa cuidar da luz. Se quer tradição, precisa preservar o que é feito com esforço. E se quer Natal, precisa aprender que nada simboliza menos o espírito natalino do que a depredação.

Nem uma semana. Esse é o retrato. Que seja também o alerta. Porque nenhuma cidade evolui enquanto parte dela insiste em andar para trás.

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