O jogo já começou

Há momentos em que a política resolve falar mais alto do que os próprios políticos admitem. Minas Gerais vive exatamente esse instante. A movimentação recente de partidos, líderes e pré-candidatos mostra que o tabuleiro de 2026 não apenas começou a ser montado, ele já tem peças se deslocando com rapidez e precisão cirúrgica. A sinalização de Carlos Viana a Cleitinho, a bênção de Jair Bolsonaro ao nome de Domingos Sávio para o Senado e a cobiça crescente de diversas siglas sobre presidente da Assembleia, Tadeuzinho (MDB), evidenciam que o jogo está aberto e que ninguém pretende ficar para trás.
A aproximação entre Cleitinho e Carlos Viana é o primeiro gesto claro de que as chapas majoritárias começam a ganhar forma. Se a candidatura de Euclydes Pettersen, inicialmente apontado como parceiro natural de Cleitinho, naufragar no peso das investigações da CPMI do INSS e da Polícia Federal (PF), abre-se um vácuo evidente. E vácuos, na política, nunca permanecem vazios por muito tempo. Viana, que busca a reeleição ao Senado, desponta como um nome pronto para ser encaixado: experiente, conhecido e já testado no eleitorado mineiro. A costura não está fechada, mas o fato de já estar sendo discutida indica que 2026 não será um ano de experimentações improvisadas; será um ano de cálculos, alianças e sobrevivências.
No campo nacional, a equação também se reorganiza. Horas antes de ser preso, Bolsonaro ofereceu mais do que uma conversa a Nikolas Ferreira: deu um sinal. E o sinal aponta para Domingos Sávio como o nome mais competitivo do PL ao Senado. Não se trata apenas de preferência pessoal, trata-se de estratégia. Domingos tem longa trajetória partidária e reúne capacidades eleitorais que o campo da direita carece em Minas quando se trata de alcançar votos para além da bolha fiel. O gesto do ex-presidente, em um momento de fragilidade política e institucional, tem ainda maior peso, pois serve como recado: mesmo de dentro do aperto, Bolsonaro tenta moldar o futuro.
A disputa por Tadeuzinho, por sua vez, revela outra face do cenário: a institucional. O presidente da Assembleia Legislativa tornou-se um ativo político disputado. Sua interlocução ampla, a condução estável da Casa e a capacidade de costura o transformaram em peça-chave para qualquer grande projeto eleitoral. Partidos querem tê-lo por perto não apenas por sua influência atual, mas pelo que ele representa: previsibilidade, articulação e potencial de transferência de apoio. Em um estado marcado historicamente pela necessidade de diálogo, Tadeuzinho se tornou, ele próprio, uma plataforma.
Quando três movimentos significativos acontecem quase simultaneamente: a costura Cleitinho–Viana, o endosso de Bolsonaro a Domingos e a disputa por Tadeuzinho, não é exagero dizer que 2026 já está sendo desenhada em detalhes. Minas, como sempre, é decisiva para qualquer projeto nacional, e os bastidores mostram que ninguém está disposto a esperar a largada oficial para entrar na pista.
O eleitor ainda não foi chamado, mas os jogadores já estão posicionados. O jogo, definitivamente, começou.
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