Pediu pra sair

Marcada por muita polêmica nos últimos meses, em especial com embates na Assembleia Legislativa, a gestão da Secretaria de Estado de Cultura de Minas troca de comando. O titular desde os primeiros mandatos de Romeu Zema (Novo), Leônidas Oliveira pediu para sair, e será exonerado. A informação foi divulgada pelo próprio governo em nota neste domingo, 14. Leônidas alega ter sido sua a decisão, sob justificativa de problemas pessoais. Por enquanto, a adjunta Josiane de Souza, assume interinamente. A saída deve ser concluída ainda nesta semana. Vale lembrar que a atuação de Leônidas à frente da pasta ficou fragilizada, após suas declarações na ALMG, quando criticou a federalização e privatização de empresas mineiras, como a Cemig, o que é a intenção do governo mineiro. Como, infelizmente, em cargos de confiança é preciso dizer "amém", para o que o chefe decide, não sendo assim, está fora.
Falou mentira?
Absolutamente, não. Mas, ir contra, é colocar o pescoço na forca. Ainda mais, à frente de uma pasta que, como todos sabem, tem pouquíssima atenção, que é o caso da Cultura. Não dá votos, como Saúde, Educação, Infraestrutura... Esse resumo breve ilustra as possíveis consequências das falas ainda na Assembleia, onde Leônidas afirmou também não saber que imóveis como a Fundação Clóvis Salgado, que contempla o Palácio das Artes, e o Automóvel Clube estavam incluídos na lista de bens oferecidos pelo estado para o governo federal por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Isso gerou resposta do vice-governador, Mateus Simões (Novo), — candidato de Zema para ocupar o seu lugar — que desaprovou publicamente o posicionamento do gestor. Não por acaso, foi o porta-voz a criticar as declarações do secretário. Além, é claro, da polêmica em que Leônidas propôs à Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) comandar a Orquestra Filarmônica e gerir a Sala Minas Gerais. Recebeu uma enxurrada de críticas do setor cultural, selando então, uma grande movimentação interna nos bastidores pela cabeça do secretário. E não deu outra. Este "pedido para sair", é para não ficar tão feio, e gerar desgaste em um período que antecede eleições.
Embate especial
Principal crítica do secretário na ALMG, Lohanna França reconhece que durante a gestão de Leônidas, houve avanços, como a aprovação do Descentra, que ajudou a levar o recurso da cultura para o interior. Mas, ressalta os problemas seguidos registrados na Secult, durante a execução das políticas de fomento como a Lei Aldir Blanc, chegando ao ápice da invenção de uma ação do Ministério Público com “decisão judicial” que determinava a reclassificação dos selecionados. Além de pelo menos duas convocações na Casa Legislativa para prestar esclarecimentos. Em uma das situações, o governo até retomou a execução do projeto. A deputada disse desejar sucesso a Leônidas e espera, que daqui pra frente, que o governo trate a secretaria como merece. Só se for a partir de agora, mas a pasta nunca foi tratada assim em nenhuma esfera de poder político. É a “filha feia” das gestões.
Dois nomes
Que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o deputado Nikolas Ferreira (PL), são os preferidos dos mineiros para concorrer ao governo do Estado, não é novidade. Pelo menos é o que dizem várias pesquisas. Porém, agora passam a ter um reforço de peso. Ninguém mais do que o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Ela declarou à rádio Itatiaia, que os dois são os possíveis na briga pela principal cadeira do Executivo em Minas. Neto deixou transparecer, uma certa preferência por Nikolas. No entanto, ele “estaria estudando”. Caso, o deputado que completa 30 anos de idade em 2026, e estaria apto para entrar na disputa, não tope a proposta, o PL, conforme o presidente, “tem uma grande admiração por Cleitinho”. Ou seja: o atual cenário se mostra totalmente aberto.
Possível concorrente
Por outro lado, uma forte mobilização se forma em torno do também senador Rodrigo Pacheco (PSD). A aposta do presidente Lula (PT) na disputa do ano que vem, pode ter um grande reforço, caso aceite entrar na briga. Seu partido também arrisca todas as fichas em torno do seu nome. Foi o que mostrou ontem em um mega encontro na capital mineira, coordenado pelo mandatário do partido no Brasil, Gilberto Kassab, atualmente secretário no governo de São Paulo. O PSD que elegeu mais prefeitos em Minas Gerais na eleição de 2024, pretende ficar ainda mais forte, com a filiação de aproximadamente 30 novos chefes de Executivo municipal à sigla. O encontro estadual, que reuniu várias lideranças da legenda, entre elas o deputado Cássio Soares e outros que pretendem se filiar, promete ser o pontapé para a grande investida no Estado. Além disso, pode ser fundamental para a decisão de Pacheco.
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